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A
História da Religiosidade do Povo Brasileiro
A religião e
religiosidade expressam a cultura contemporânea, um emaranhado de significados
simbólicos que permite entender o universo das ideias e mentalidades, os ritos
do cotidiano, as relações sociais e as instituições políticas; enfim, permite
entender a alma do povo brasileiro. Neste sentido, a análise do período
colonial alcança as raízes da formação deste sistema de crenças. A miscigenação
cultural, durante a constituição colonial, criou no Brasil um conjunto de
elementos religiosos polissômicos, comunicando vários sentidos que deixam
transparecer o econômico, o social, o lúdico e o étnico. Um sistema cultural
que espelha o sincretismo e a extrema capacidade adaptativa do povo brasileiro,
capaz de absorver características externas e transformá-las.
O
papel da igreja católica
Em certo sentido, o
achamento do Brasil esteve inserido dentro do ideal de CRUZADAS presente em
Portugal. Os LUSOS desbravaram os oceanos em busca de cristãos e especiarias,
pretendendo encontrar riquezas que pudessem ser comercializadas e cristianizar
o mundo. Portanto, a origem do processo de ocupação territorial da Terra de
Santa Cruz, serviu de certa forma, as intenções da igreja católica. Os
portugueses que vieram para o Brasil estiveram inseridos no universo mental de
seu tempo e espaço, partilharam o ideal de cruzada, adotando o catolicismo como
insígnia do poder da coroa.
Diante desta concepção,
todo o não católico foi considerado um inimigo em potencial, a não aceitação da
fé em cristo foi considerada como contestação do poder do rei e afronta direta
a todo português, uma motivação que incentivou, dentre outros fatores, o
extermínio dos indígenas, vistos como pagãos e infiéis. Os verdadeiros donos da
América foram diabolizados, ao contrário do que levaria supor o estereótipo do
bom selvagem em voga ainda hoje, e que tantas vezes falseou a retratação dos
ameríndios quinhentistas. Uma posição adotada até mesmo por muitos jesuítas,
tal como o padre Manuel da Nóbrega, conhecido por defender o direito de liberdade
dos nativos cristianizados. Para ele, “se o gentio fosse senhorado ou
despejado” de sua terra, “com pouco trabalho e gasto”, a coroa portuguesa
“teria grossas rendas nestas terras”; sendo necessário reduzir os índios a
“vassalagem”. Aqueles que resistissem deveriam ser exterminados, posição
defendida por Nóbrega em carta escrita na Bahia, endereçada ao padre Miguel
Torres, presente em Lisboa, datada em 8 de maio de 1558. Dentro deste contexto,
a construção de igrejas passou a delimitar a conquista territorial, garantindo
a soberania do Estado perante os gentis, criando mecanismo de conversão forçada
dos nativos e aculturação em prol dos valores europeus.
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