ATIVIDADES
Leia os textos a seguir e copie-os. Coloque
a data.
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A
Autora: Marina Colasanti
Antes de você iniciar a leitura das histórias do livro Com certeza
tenho amor, saiba um pouco sobre a autora, apresentadora, jornalista e também
ilustradora Marina Colasanti.
Marina
Colasanti nasceu em 1937 na cidade de Asmara, capital da Eritreia. Residiu
posteriormente em Trípoli, na Líbia, mudou-se para Itália e, em 1948,
transferiu-se com a família para o Brasil, onde vive até hoje na cidade do
Rio de Janeiro.
Traduziu
importantes autores da literatura universal.
Seu primeiro
livro data de 1968, hoje são mais de cinquenta títulos publicados no Brasil e
no exterior, entre os quais livros de poesia, contos, crônicas, livros para
crianças e jovens e ensaios sobre os temas literatura, o feminino, a arte, os
problemas sociais e o amor.
É uma das mais premiadas escritoras
brasileiras, detentora de vários prêmios Jabutis, do Grande Prêmio da Crítica
da APCA, do Melhor Livro do Ano da Câmara Brasileira do Livro, do prêmio da
Biblioteca Nacional para poesia, de dois prêmios latino-americanos. Foi o
terceiro prêmio no Portugal Telecom de Literatura 2011.
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Texto I
- Com certeza tenho amor
Moça
tão resguardada por seus pais não deveria ter ido à feira. Nem foi, embora
muito o desejasse. Mas porque o desejava, convenceu a ama que a acompanhava a
tomar uma rua em vez de outra pra ir á igreja, e a rua que tomaram passava tão
perto da feira pareciam espelhar-se nas paredes claras.
E
foi nessa rua, recortada como uma silhueta em suas roupas escuras, o rosto meio
coberto por véu, que o mais jovem dos saltimbancos, atrasado a caminho da
feira, a viu.
Era
o mais jovem era o mais forte era o mais era o mais valente entre os onze
irmãos. A partir daquele encontro, porém, uma fraqueza que não conhecia
deslizou para dentro do seu peito. À noite suspirava como se doente.
-
Que tens? – perguntaram-lhes os irmãos.
-Não
sei - respondeu. E era verdade. Sabia apenas que a moça velada aparecia nos
seus sonhos, e que parecia sonhar mesmo acordado porque mesmo acordado a tinha
diante dos olhos.
Àquela
rua a moça não voltou mais. Mas ele a procurou em todas as outras ruas da
cidade até vê-la passar, esperou diante da igreja até vê-la entrar acompanhou-a
ao longe até vê-la chegar em casa.
Agora
sorria, cantava, embora de repente largasse a comida no prato porque nada mais
lhe passava na garganta.
-
Que tens? – perguntaram-lhe os irmãos.
-
Acho, não sei... – respondeu ele abaixando a cabeça sobre seu rubor – creio ...
que tenho amor.
Na
sua casa, a moça também sorria e cantava, largava de repente a comida no prato
e se punha a chorar.
Tenho...
sim... com certeza tenho amor – respondeu à ama que lhe perguntou o que tinha.
Mas
nem a ama se alegrou, nem se alegraram os dez irmãos. Pois como alegrar-se com
um amor que não podia ser?
De
fato, tanto riso, tanto choro acabaram chamando atenção do pai da moça que,
vigilante e sem perguntar, trancou-a no quarto mais alto da sua alta casa. Não
era com um saltimbanco que havia de casar a filha criada com tanto esmero.
Mas
era com um saltimbanco que ela queria casar.
E
o saltimbanco, ajudado por seus dez irmãos, começou a se preparar para chegar
até ela.
Afinal
uma noite, lua nenhuma que os denunciasse, encaminharam-se os onze para a casa
da moça. Seus pés calçados de feltro calavam-se sobre as pedras.
O
mais jovem era o mais forte, teria ele que sustentar os demais. Pernas abertas
e firmes, cravou-se no chão bem debaixo da janela dela. O segundo irmão subiu
para os seus ombros, estendeu a mão e o terceiro subiu. O quarto escalou os
outros até subir nos ombros do terceiro, E um por cima do outro, forma se
construindo como uma torre. Até que o último chegou ao topo.
O
último chegou ao topo, e o topo não chegou à altura da janela da moça. De cima
a baixo os irmãos passaram-se a palavra. Os onze parecem ondejar por um
instante. Então o mais jovem e mais forte saiu de debaixo dos pés do seu irmão
deixando-o suspenso no ar, e tomando a mão que este lhe estendeu subiu
rapidamente por ele, galgando seus irmãos um a um.
No
alto, a janela se abriu.
(Marina
Colasanti. 23 histórias de um viajante. São Paulo: Global, 2005 p.51-55.)
Disponível em: http://helenaconectada.blogspot.com/2010/05/generos-9os-anos_9597.html Acesso em 01 de abril 2020.

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