DATA 11/09/2020
ATIVIDADES – DIA 11/09 – LER O TEXTO E REGISTRAR NO CADERNO AS PRINCIPAIS IDEIAS.
América
Latina: a mais urbanizada do mundo, mas não a mais planejada
Mais de 80%
dos latino-americanos vivem em cidades onde a insegurança urbana aumentou entre
os seus cidadãos
É a cidade perfeita. Não há
quase crime, nem engarrafamentos, nem contaminação ou sujeira, e o lixo é
recolhido a tempo. O transporte público é pontual e sempre há onde se sentar. É
o triunfo do planejamento urbano. A boa notícia: há várias cidades do mundo que
poderiam competir pelo título de a “mais planejada”; a má: que nenhuma é
latino-americana, ao menos por enquanto. Zurique, Singapura, Seúl, Búfalo (em
Nova York) aparecem constantemente nas discussões e rankings especializados
como as cidades mais planejadas do mundo. E o que as une é justamente a ideia
de que a cidade é o “lar” de seus residentes e que está ali para servi-los, e
não para atuar como um inimigo.
Isto cobra particular relevância
na América Latina, a região mais urbanizada do mundo, onde 80% da população
–cerca de 450 milhões de pessoas- vivem nas cidades. Enquanto a falta de
segurança aparece sistematicamente entre as principais preocupações dos
latino-americanos, há outro tipo de insegurança da qual se fala pouco mas que
também supõe uma ameaça para o bem-estar dos cidadãos. Trata-se, efetivamente,
da estrutura e organização das cidades.
Os avanços sociais e econômicos
da América Latina durante a última década não vieram acompanhados de um melhor
planejamento dos grandes centros urbanos, e alguns resultados visíveis são o
caótico transporte privado e público, a rápida urbanização sem respeito aos
códigos de construção, a deficiente prestação dos serviços públicos e a
deterioração dos espaços, entre outros. Esta situação também gerou problemas
para enfrentar eventualidades naturais, como o foi o recente incêndio em
Valparaíso, no Chile, as recorrentes inundações em Buenos Aires ou os
frequentes desabamentos de terra nas favelas do Rio de Janeiro. De acordo a
estimativas do Banco Mundial, as consequências dos fenômenos naturais
representam um custo para a região de dois bilhões de dólares anuais.
O déficit em planejamento das
cidades se destaca ainda mais quando surgem as seguintes estatísticas: para
2025, 10% da população mundial viverá em apenas 37 cidades. Por isso,
arquitetos, geógrafos, engenheiros e governos da região têm o desafio de
planejar com eficiência seus centros urbanos para convertê-los em locais mais
habitáveis e seguros.
“Na América Latina deveríamos
passar por um planejamento mais estratégico e sustentável que, por um lado,
mitigue (diminua) problemas existentes, como o risco de deslizamentos em morros
ou falta de capacidade nos sistemas de drenagem, e por outro, que adapte as
cidades para que sejam mais resilientes em relação às ameaças climáticas”,
explica Santiago E. Arias, especialista em planejamento urbano do Banco
Mundial.
Os mais expostos
As ameaças à segurança nas
cidades não provêm apenas dos efeitos dos desastres naturais, mas também têm a
ver com a construção improvisada: por exemplo, ao construir casas em morros com
risco de deslizamentos ou ao lado de rios que costumam transbordar após fortes
chuvas.
Embora a maior parte dos
habitantes das cidades estejam expostos a esta série de perigos, são os mais
pobres que estão expostos à pior parte, já que geralmente vivem em casas mais
precárias e desprotegidas. Segundo um relatório de ONU-Habitat de 2012, ao
redor de 111 milhões de latino-americanos vivem em bairros marginais. Como
forma paliativa (superficial) de diminuir os riscos que espreitam este amplo
grupo de pessoas, vários países da região estão desenvolvendo projetos para
reforçar a segurança nas zonas com habitantes vulneráveis. A iniciativa CAPRA,
por exemplo, tenta melhorar as formas de avaliar as ameaças climáticas na
Colômbia, Peru, Chile e países da América Central e do Caribe.
O Centro de Inovação Climática
do Caribe também está ajudando para que países pequenos da região estejam melhor
preparados para enfrentar os efeitos da mudança climática, através da criação
de empresas sustentáveis.De qualquer forma, os
especialistas concordam que ainda faz falta um planejamento urbano que integre
todos os setores para fazer das cidades latino-americanas locais mais seguros.
“Muitas cidades da América
Latina sofrem os piores casos de congestionamentos do mundo. Os problemas de
água e saneamento foram um grande problema nas periferias. A mudança climática
aumentará os problemas de acesso à água na região”, afirma Xiaomei Tan,
especialista do Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF, em inglês). Estudos do
Banco Mundial apontam que territórios propensos às secas, especialmente em
cidades do Chile, México, Guatemala e El Salvador, serão ainda mais secos. Da
mesma maneira, zonas com risco a inundações, como Argentina, Peru e Uruguai,
deverão enfrentar chuvas mais intensas. As cidades latino-americanas dependerão
de um melhor planejamento para que estas projeções tão pouco alentadoras não se
cumpram, e permaneçam só como maus presságios.
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