DATA 09/10/2020
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As desigualdades
apontadas pelo estudo
Em todas as 20 cidades estudadas, a concentração de
atividades nas regiões centrais, aliada ao desempenho e à conectividade das
redes de transporte, faz com que o centro das cidades e seu entorno sejam áreas
de alta acessibilidade a oportunidades e serviços. As regiões de periferia, por
outro lado, são definidas pelo estudo como “desertos de oportunidades”, por
terem níveis de acesso (a redes de transporte) significativamente mais baixos.
“Essa
desigualdade pesa sobretudo para os grupos populacionais de baixa renda, os
quais são levados a morar em regiões com menos desenvolvimento econômico e
menos servidas de infraestrutura urbana e serviços de transporte”.
O estudo esclarece que não é possível nem desejável
eliminar totalmente as desigualdades espaciais de acessibilidade. No caso dos
serviços públicos, eles são posicionados no território de acordo com um
planejamento estratégico, que também leva em conta a eficiência econômica.
A desigualdade de acesso aos postos de trabalho é,
segundo estudo, “da dinâmica da economia espacial e urbana que a localização
dos empregos seja influenciada por economias de aglomeração que farão
naturalmente com que haja certa desigualdade” (ou seja, quão maior forem as
oportunidades de lucro concentradas num local, maiores serão as probabilidades
de se encontrar empregos/trabalhos ali). Ainda assim, “o mínimo que se espera,
do ponto de vista da justiça distributiva, é que essas políticas contribuam
para reduzir tais desigualdades de acesso a oportunidades, priorizando a
melhoria das condições de transporte das pessoas em situação de vulnerabilidade
e que mais dependem do transporte público e ativo”.
A seguir, se destacam 5 casos da pesquisa que ilustram a
realidade brasileira.
O acesso à saúde no Rio
de Janeiro
O estudo estimou o tempo mínimo que se levaria no
transporte público em horário de pico para acessar estabelecimentos do Sistema
Único de Saúde, começando a viagem a partir de diferentes regiões da cidade do
Rio de Janeiro.
No caso do Rio, cerca de 46% da população conseguiria
chegar a um dos 318 estabelecimentos de saúde com serviço de média
complexidade em menos de 15 minutos por
transporte público. Esse tipo de serviço dá alcance a clínicas, Unidades de
Pronto-Atendimento e hospitais-escolas, que dão conta de alguns procedimentos
de intervenção, bem como tratamentos a casos crônicos e agudos de doenças.
Mas apenas 17% da população conseguiria chegar à unidade
mais próxima de casa nesse mesmo tempo caso precisasse acessar um dos 108
estabelecimentos com serviços de alta complexidade (hospitais de grande porte,
onde são realizadas manobras mais invasivas e de maior risco à vida).
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