DATA 08/10/2020
LER O TEXTO, ANOTAR O TEMA NO CADERN, COPIAR A ATIVIDADE E RESPONDER
Leia o texto a seguir para
responder as próximas questões:
A abolição resultou
principalmente da luta escrava em favor da liberdade, demonstrando o
protagonismo da ação dos africanos escravizados.
Durante a
primeira metade do século XIX as rebeliões escravas estavam tirando o sono dos
latifundiários, já que a ameaça apresentada pelo exemplo da independência do
Haiti ainda era recente e havia indícios de que os africanos escravizados
sabiam do processo de abolição e independência haitiana.
Imagem
disponível em: https://www.politize.com.br/abolicao-da-escravatura-brasileira
aceso em: 24 de ago. de 2020.
Só na Bahia
foram mais de 30 revoltas até 1835, sendo a mais conhecida a Revolta dos
Malês. Em Minas Gerais também ficou conhecida a rebelião de Carrancas,
ocorrida em 1833, no contexto da instabilidade política do Período Regencial.
Em 1838, houve, no Rio de Janeiro, a revolta de Manoel Congo, ocorrida
no município de Vassouras. Entre 1839 e 1842, a Balaiada no Maranhão também
levou preocupação à elite, principalmente pelo grupo de escravos liderados por
Cosme Bento das Chagas, que se juntou aos balaios, mas que acabou
derrotado e executado.
Todas essas
ocorrências servem para que possamos refletir sobre o processo de abolição
da escravidão no Brasil. A Abolição da escravidão foi fruto apenas das
pressões internacionais, como da Inglaterra, e do movimento abolicionista a
partir da década de 1870, composto em sua maioria por pessoas brancas e livres,
ou seria a abolição decorrente da luta dos próprios africanos e seus
descendentes contra a escravidão?
Estudos
historiográficos das últimas décadas do século XX e de início do XXI apontam a
existência de um forte movimento de luta contra a escravidão realizada pelos
próprios escravos, a força de trabalho que durante quatro séculos criou as
riquezas no Brasil.
Apesar de
terem sido intensas na primeira metade do século XIX, rebeliões de grande monta
se tornaram mais raras na segunda metade do século. Mas em seu lugar as fugas,
a formação de quilombos e a resistência cotidiana no trabalho
contribuíram para pressionar o Estado a colocar fim à escravidão.
Essas três
formas de luta intensificaram-se após o fim do tráfico negreiro em 1850,
resultando na formação de quilombos próximos às cidades, na
intensificação de ações de resistência e de reprodução das comunidades, como
furtos e saques, além de ações contra os senhores e prepostos, que muitas vezes
resultavam em mortes.
Esse movimento
de resistência foi anterior ao movimento abolicionista e foi por sua
virulência, além de ser uma ação autônoma da classe trabalhadora escrava, que
houve a pressão que resultou no surgimento da legislação abolicionista.
Dois motivos
contribuíram para essa situação: a intensificação do tráfico interprovincial e
a chamada crioulização da escravatura, com a maior utilização de escravos
nascidos no Brasil.
Com o fim do
tráfico internacional de escravos, os cativos passaram a ser comercializados
das províncias do Norte e do Sul para as do Sudeste, em ascensão econômica com
a produção de café. Muitos desses escravos eram nascidos no Brasil, sendo ainda
considerados escravos “indisciplinados”, carregando com eles uma noção de
“cativeiro justo”, ao qual impunham parâmetros de formas de organização, bem
como de intensidade e métodos de trabalho aos seus senhores.
A
“indisciplina” gerava constantes conflitos com os senhores e feitores,
resultando em fugas e, muitas vezes, em mortes. Nesse sentido, as ações
realizadas pelos escravos pressionaram o Estado brasileiro, somadas à pressão
internacional, a criar uma legislação que garantisse gradualmente a abolição.
Gradualmente, pois se temia que uma abolição abrupta levasse o país ao caos
econômico, bem como ao estímulo uma revolução.
Os debates
para a criação das leis tinham como argumentos os aumentos de rebeliões
escravas nas décadas de 1850 e 1860, demonstrando o temor das elites com a
resistência à escravidão e com o perigo de eclodir uma revolução escrava no
Brasil. O medo do exemplo do Haiti ainda era presente.
Imagem:
Uma senhora e seus escravos na província de São Paulo, fotografia de autor
desconhecido.
A Lei do
Ventre Livre, por exemplo, foi decorrente da preocupação das elites com a
mudança da estrutura escrava no Brasil, com um maior número de escravos
nascidos no país, o que teria resultado em maiores rebeliões. Libertar as
crianças filhas de mães escravas era uma forma de impedir as rebeliões e
insatisfações. A imposição do fim do tráfico interprovincial, em 1881, era
também uma lei que tinha como preocupação o surgimento de uma guerra civil no
Brasil, semelhante à ocorrida nos EUA entre 1861 e 1865.
Entretanto, ao
contrário do que afirmou a historiografia mais tradicional do Brasil, o motor
do abolicionismo foram as ações dos escravos, como as fugas e a formação dos
quilombos, as rebeliões, a ocupação de terras livres pelos fugidos, a
insubmissão das regras de trabalho nas fazendas, demonstrando o protagonismo
dos africanos escravizados em seu processo de libertação.
Imagem:
Valongo ou mercado de escravos no Rio, desenho de Auguste Earle (1793-1838)
Disponível em:< https://mundoeducacao.uol.com.br/historiadobrasil/abolicao-luta-escrava-por-liberdade.htm>
acesso em: 24 de ago. de 2020. [adaptado]
ATIVIDADE
4. Leia o trecho a seguir:
Kalunga é o nome de um quilombo no Estado de Goiás. Em 1993, de 2
mil a 4 mil negros viviam em 41 comunidades espalhadas por 2,02 mil quilômetros
quadrados em uma região montanhosa próxima à vila de Cavalcante. Esse talvez
seja o mais antigo quilombo habitado permanentemente do Brasil. Diferentemente
do famoso quilombo dos Palmares, nunca foi destruído. Referências incompletas,
em fontes estrangeiras, sugerem que ele data pelo menos desde o início do
século XIX.
Os africanos talvez tenham vivido lá antes da expulsão dos jesuítas
em 1759, porque dois jesuítas que trabalharam no norte de Goiás foram acusados
de terem se relacionado com os quilombolas. Não se sabe como ou por que os
quilombolas escolheram nomear um vale de montanhas e seu quilombo de Kalunga. O
que o nome Kalunga indica, entretanto, é que os centro-africanos habitavam um
lugar tão remoto quanto a capitania de Goiás.
(Mary C. Karasch, Centro-africanos no Brasil Central, de 1780 a
1835.In: Linda M. Heywood (Org.), Diáspora negra no Brasil)
O trecho do texto relata que:
a)
( )
Os negros que habitavam o Quilombo dos Kalunga formavam uma única comunidade.
b) ( ) Kalunga era habitado pelos africanos desde
os tempos dos Jesuítas e pode ser tão antigo quanto a capitania de Goiás.
c) ( ) O famoso quilombo de Palmares nunca foi
destruído.
d) ( ) A origem do nome Kalunga está no fato de
ser uma região de um vale de montanhas.

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