data 18/08/2020
MATERIAL DISPONIBILIZADO NO GRUPO DE WHATSAPP
18 A 21 DE AGOSTO
PROJETO Jornada Poética
As aulas dessa semana serão voltadas para esse
projeto.
Vocês terão que gravar dois
vídeos curtos: Um será respondendo perguntas, e o outro com declamação de
poesia.
1.Antes de gravar o vídeo, você deverá assistir as videoaulas sobre esse
tema para se informar, logo depois poderá gravá-lo. Não deixe exceder 1 minuto;
2. Dentre o material de apoio há vídeos com declamações de poesias,
portanto faz-se necessário que você assista para que possa, a partir deles,
criar o seu.
3. Tente memorizar o poema que será declamado, para que não precise
lê-lo, uma vez que não é leitura – é Declamação.
4. Você pode , se preferir, declamar sozinho; ou pode fazer um jogral
(ou seja, até no máximo 4 colegas ,cada um
declama uma estrofe de um soneto, por exemplo), porém vocês terão que
editar e enviar um único vídeo – não pode exceder 1 minuto.
Sugestões:
1. Colocar uma música de
fundo(instrumento musical ou CD);
2. Encontre um ambiente que
combine com a interpretação que você fará.
3. Escolha trajes e
maquiagens que se relacionem com o contexto de interpretação.
DATAS:
1.Enviar o primeiro vídeo até quarta-feira (19) de agosto.
2. Enviar o segundo vídeo com a declamação até sexta-feira (21).
OBS: SE VOCÊ PREFERIR CRIAR SEU POEMA E DECLAMÁ-LO, NÃO TERÁ
PROBLEMA; ENTRETANTO ELE DEVERÁ CONTER METÁFORAS
E TERÁ QUE SER CORRIGIDO, POR MIM, ANTES DE SER DECLAMADO.
Abaixo material de estudo e pesquisa sobre figuras de linguagem
(metáfora, antítese, paradoxo entre outas).para que possa responder as
questões.
https://www.youtube.com/watch?v=BA_GiXoiszY&feature=youtu.be&ab_channel=BrasilEscola
https://www.youtube.com/watch?v=AgDg11SoqOQ&feature=youtu.be&ab_channel=Zagaz
https://www.youtube.com/watch?v=jHPLtytzbXM&feature=youtu.be&ab_channel=educadorvc
Você sabe o que é metáfora? Reconhece o emprego desta figura de
linguagem?
Como você distingue a linguagem
subjetiva da linguagem objetiva?
Em que se difere a linguagem de
um texto científico da linguagem de um poema?
Você já escreveu algum poema? Qual? Em que momento da sua vida?
SEGUEM VÍDEOS COM DECLAMAÇÕES DE POEMA:
https://www.youtube.com/watch?v=Zh2fTF-RPao&ab_channel=EloquenceOrat%C3%B3ria
https://www.youtube.com/watch?v=58Qjrh_BcOM&ab_channel=Poemaria
https://www.youtube.com/watch?v=syhAWdnUET4&ab_channel=PedroJones
https://www.youtube.com/watch?v=wzz8NoFYsOs&ab_channel=SilviaAndrade
https://www.youtube.com/watch?v=TTWEpp1s5Ps&ab_channel=SilvioMatos
ALGUNS POEMAS PARA SEREM ESCOLHIDOS
AUTOPSICOGRAFIA
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.
Poema de Sete Faces
Carlos Drummond de Andrade
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Quando nasci, um anjo torto
Desses que vivem na sombra
Disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida
As casas espiam os homens
Que correm atrás de mulheres
A tarde talvez fosse azul
Não houvesse tantos desejos
O bonde passa cheio de pernas
Pernas brancas pretas amarelas
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração
Porém meus olhos
Não perguntam nada
O homem atrás do bigode
É sério, simples e forte
Quase não conversa
Tem poucos, raros amigos
O homem atrás dos óculos e do bigode
Meu Deus, por que me abandonaste
Se sabias que eu não era Deus
Se sabias que eu era fraco
Mundo mundo vasto mundo
Se eu me chamasse Raimundo
Seria uma rima, não seria uma solução
Mundo mundo vasto mundo
Mais vasto é meu coração
Eu não devia te dizer
Mas essa lua
Mas esse conhaque
Botam a gente comovido como o diabo
MADRIGAL MELANCÓLICA
Manuel Bandeira
O que eu adoro em ti
Não é sua beleza
A beleza é em nós que existe
A beleza é um conceito
E a beleza é triste
Não é triste em si
Mas pelo que há nela
De fragilidade e incerteza
O que eu adoro em ti
Não é a tua inteligência
Mas é o espírito sutil
Tão ágil e tão luminoso
Ave solta no céu matinal da montanha
Nem é tua ciência
Do coração dos homens e das coisas
O que eu adoro em ti
Não é a tua graça musical
Sucessiva e renovada a cada momento
Graça aérea como teu próprio momento
Graça que perturba e que satisfaz
O que eu adoro em ti
Não é a mãe que já perdi
E nem meu pai
O que eu adoro em tua natureza
Não é o profundo instinto matinal
Em teu flanco aberto como uma ferida
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza
O que adoro em ti lastima-me e consola-me
O que eu adoro em ti é A VIDA !!!
A Rosa de Hiroxima
Vinícius de
Moraes
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida.
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.
Soneto de separação
Vinicius de Moraes
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
A Estrela
Manuel
Bandeira
Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.
Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.
Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alto luzia?
E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.
Consoada
Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
- Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.
Manuel Bandeira
Desencanto
Manuel Bandeira
Eu faço versos como quem chora
De desalento… de desencanto…
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente…
Tristeza esparsa… remorso vão…
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
– Eu faço versos como quem morre.
Manuel Bandeira, A Cinza das Horas
Tempo
Perdido
Legião Urbana
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Todos os dias quando acordo
Não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo
Todos os dias antes de dormir
Lembro e esqueço como foi o dia
Sempre em frente
Não temos tempo a perder
Nosso suor sagrado
É bem mais belo que esse sangue amargo
E tão sério
E selvagem
Selvagem
Selvagem
Veja o sol dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega é da cor dos teus olhos
Castanhos
Então me abraça forte
Me diz mais uma vez que já estamos
Distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo
Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes
Acesas agora
O que foi escondido
É o que se escondeu
E o que foi prometido
Ninguém prometeu
Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens
Tão jovens
Tão jovens
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